Os preços dos fretes estão em disparada no Brasil, refletindo a alta procura por caminhões para levar a soja das fazendas para os portos. Para a Esalq-Log, grupo de pesquisa em logística agroindustrial da Esalq, eles podem estar perto das máximas.
“Acho que estamos próximos do pico”, disse Fernando Bastiani, pesquisador da Esalq-Log, ao The AgriBiz.
Depois de terem praticamente dobrado em algumas das principais rotas de exportação de soja desde o início do ano, as tarifas cobradas para o transporte por caminhões já começaram a apresentar estabilidade em alguns trechos na semana passada. Mas, em outros, os preços continuam aumentando.
“É possível que ainda tenhamos um aumento de 10%, chegando ao pico entre a primeira e a segunda semana de março”, afirmou Bastiani, lembrando que aproximadamente 40% da área plantada com soja foi colhida no Brasil. “Os produtores já recuperaram bastante o atraso, mas ainda tem mais da metade da safra a ser colhida.”
Os fretes com origem em Mato Grosso lideram as altas, apresentando um aumento de 62% na semana encerrada em 23 de fevereiro, em comparação com a semana finalizada em 12 de janeiro, em média. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o preço do frete rodoviário aumentou 30% na média nacional, o que também pode ser considerado um movimento atípico.

Entre Sinop (MT) e Itaituba (PA), uma das principais rotas de exportação de soja, a variação foi de 74% no intervalo. De Sorriso a Rondonópolis, ambos em Mato Grosso, o aumento foi de 65%. Já de Sorriso a Santos (SP), os fretes subiram 61%. “Em algumas rotas, o preço mais do que dobrou”, disse Bastiani.
Além da produção recorde, que deve superar a safra passada em pelo menos 20 milhões de toneladas, a colheita está extremamente concentrada.
De um lado, o Mato Grosso, o primeiro a começar a colher, demorou para começar. De outro, alguns estados anteciparam os trabalhos de campo este ano, como Paraná, Mato Grosso do Sul e até algumas regiões do Matopiba, afirma Bastiani. Entre Dourados (MS) e Paranaguá (PR), por exemplo, os valores dos fretes aumentaram 71% no mesmo intervalo. Já no Maranhão, entre Balsas e São Luis, a alta é de 68%.
Com o frete rodoviário mais caro, o modal ferroviário ganha competitividade, o que pode favorecer a Rumo (RAIL3), que tem enfrentado uma resistência maior das tradings em fechar contratos antecipados para o transporte da soja, chamados take or pay. Agora, a Rumo pode ver uma demanda maior dos embarcadores no mercado spot.
“É um ano forte, com uma safra concentrada, o que, de maneira natural, vai privilegiar a solução logística mais eficiente”, disse o CFO da Rumo, Guilherme Machado, em teleconferência na semana passada.