
Depois de sofrer com os efeitos colaterais da política de compra antecipada de milho, pagando mais caro por uma commodity que estava bem mais barata, a FS — uma das gigantes do etanol de milho no Brasil — agora vai colher os frutos dessa mesma estratégia.
A companhia controlada pela americana Summit Agricultural Group já assegurou 60% do milho necessário para a safra 2025/26 a um preço atrativo, sugerindo que as boas margens devem continuar no exercício fiscal que começa em abril. Com isso, a FS está no caminho para prosseguir com o processo de desalavancagem.
“Apesar do recente aumento do preço doméstico do milho, a FS indicou que já fixou mais de 60% das necessidades de milho a um preço semelhante ao da safra 2024/25, preparando o terreno para mais um bom ano”, escreveram Thomas Tenyi, Renan Tiburcio e Fernando Soares, analistas de crédito do BTG Pactual.
Em doze meses, os preços do milho em Mato Grosso — principal região de originação da FS — dobraram, mostra a série histórica do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária). A FS, no entanto, vai escapar dessa escalada.
Atualmente, o milho disponível no principal Estado agrícola nacional está em R$ 65,38 por saca. Para se ter uma ideia, o volume de milho assegurado pela FS para a safra 2025/26 foi comprado a um preço médio R$ 42,59 por saca, um desconto de 34% sobre as atuais cotações.
Na visão do BTG, a matéria-prima mais barata se somará ao ambiente de favorável de preços para o etanol — considerando um mix mais açucareiro das usinas de cana —, permitindo que a FS continue reduzindo os indicadores de endividamento.
Depois de bater um pico de alavancagem de 7,4 vezes no primeiro trimestre da safra 2024/25, a FS chegou a 4 vezes no terceiro trimestre. “Continuamos a esperar que a FS apresente resultados sólidos e reduza ainda mais a alavancagem para níveis abaixo de três vezes até o final do ano fiscal, em março”, afirmaram os analistas.
Com a expectativa de preços de etanol mais altos, a expectativa deles é que a margem Ebitda da FS fique em R$ 1,2 por litro para a safra 2025/26, levando a um Ebitda de R$ 2,8 bilhões — o que aumentaria ainda mais a geração de fluxo de caixa e a desalavancagem, compensando os efeitos da alta da Selic.
A redução das métricas de endividamento é uma prioridade para a FS. Na divulgação de resultados do terceiro trimestre, realizada nesta semana, o grupo sinalizou a liberação de R$ 1 bilhão em capital de giro durante o quarto trimestre da safra, o que beneficia diretamente a dívida líquida. No terceiro trimestre, o endividamento da companhia estava em R$ 7,9 bilhões.
Após a redução da alavancagem, os investimentos em novas fábricas de etanol de milho poderiam ser retomados.
Os analistas do BTG veem como opções de alocação de capital três potenciais novos locais de operação — já licenciados — além de uma expansão de capacidade em Primavera do Leste (MT). A retomada dos dividendos, interrompidos no terceiro trimestre da safra 2023/24, também está no radar.
“Tais opções deverão ser avaliadas quando a alavancagem cair abaixo de três vezes e estão sujeitas à perspectiva para os preços do etanol e do milho, a fim de evitar pressões no balanço”, reforçaram.