
Há sete anos, a JBS parecia desafiar o mercado com um novo formato para as peças de couro, despertando a curiosidade (e a incredulidade) de alguns dos maiores clientes — de indústrias automobilísticas tradicionais a gigantes chinesas dedicadas à fabricação de sofás.
Em um produto comercializado por área mundo a fora, a JBS optou por comercializar uma área menor do couro. Era contraintuitivo e, para alguns, até mesmo antieconômico. Com o tempo, no entanto, os clientes abraçaram a inovação, criando uma nova tendência.
Batizado de Kind Leather, o formato de couro redesenhado pela companhia brasileira evita o desperdício. Ao invés das peças tradicionais, que contêm várias aparas que muitas vezes vão parar no lixo, a inovação criada pela JBS vem em um formato que proporciona o maior rendimento.
“O lançamento do Kind Leather foi um marco na nossa jornada para transformar a indústria do couro, trazendo mais rendimento para os nossos clientes, transparência no processo através da rastreabilidade e redução de impacto ambiental”, conta Guilherme Motta, presidente da JBS Couros.
No modelo usual, as peças eram comercializadas num mesmo formato e sem diferenciação entre clientes, fossem eles da indústria de vestuário, calçadista ou moveleira. O problema é que, a depender do uso, cada cliente corta o couro de uma forma, com uma sobra importante desperdiçada.
“O Kind Leather quebra essa lógica puramente transacional em prol de uma preocupação na forma como esse material é aproveitado”, afirma Kim Sena, diretor de sustentabilidade da JBS Couros.
Com o Kind Leather, o paradigma mudou. Em média, o rendimento das peças de couro por cliente aumentou 9%. De quebra, as aparas que antes seriam descartadas se transformaram em matéria-prima para a própria JBS.
Por meio da JBS Novos Negócios, a companhia usa o couro na produção de colágeno e gelatina que são destinadas a diferentes finalidades, da indústria farmacêutica aos suplementos de beleza.
A relevância do mercado de colágeno é tamanha que a JBS conta com três negócios diferentes: Genu-in (saúde e nutrição), Orygina (voltado à indústria farmacêutica) e Novaprom (indústria de alimentos).
Além de permitir o melhor rendimento dos resíduos do couro, o Kind Leather nasceu com uma menor pegada de carbono. Nesse processo de produção da peça de couro, as regiões com maior concentração de defeitos são removidas antes do curtimento, evitando o uso de produtos químicos que fazem parte do processo.
Estima-se que, em comparação ao formato convencional das peças de couro, o Kind Leather reduza as emissões de carbono em pouco mais de 15%. “O Kind Leather é muito mais do que otimizar o corte de couro”, ressalta Sena.
Mas os benefícios não vão parar por aí. A JBS continua pesquisando e busca reduzir ainda mais o impacto ambiental do couro, além de melhorar o rendimento e maximizar a utilização dos resíduos.
Recentemente, a JBS lançou o programa SaveTan, reduzindo a pegada de carbono do curtimento do couro em até 12%. O conceito por trás do programa é simples: é possível preparar o couro usando menos água e produtos químicos.
A companhia também se engajou no relacionamento com os fornecedores de produtos químicos usados nos curtumes, criando um protocolo do Kind Leather para avaliar os fornecedores a partir de critérios de sustentabilidade.
Entre os critérios do Responsible Tannery Chemistry (RTC), estão biodegradabilidade, substâncias restritas, presença de carbono biogênico e impacto ambiental geral.
“Nosso objetivo é requalificar o setor, induzir os produtores a adotarem as práticas mais sustentáveis e mostrar que a indústria do couro pode ser uma líder nos desafios e oportunidades de materiais de baixo impacto”, conclui Sena.