
O incêndio na usina Iracema, comunicado nesta manhã pela São Martinho, deve ter um impacto limitado na produção da companhia. Conforme comunicado divulgado pela empresa, o fogo atingiu uma das caldeiras e pode levar a uma redução de 30% na capacidade de produção da unidade localizada em Iracemápolis (SP).
“Embora o impacto seja significativo para a usina em si, representa apenas 3% da nossa estimativa de 23 milhões de toneladas para a São Martinho neste ano”, afirmam em relatório os analistas do BTG Pactual Thiago Duarte, Guilherme Guttilla e Gustavo Fabris.
Sozinha, a usina Iracema deve moer 2,4 milhões de toneladas na safra 2025/26 — ou 10% do total da moagem da São Martinho, segundo os analistas Henrique Brustolin e Pedro Fontana, do Bradesco BBI. A companhia, além disso, já acionou o seguro, que cobre tanto os danos materiais quanto os impactos na produção.
Soft guidance
Além das informações sobre o incêndio, a São Martinho também divulgou aos investidores uma perspectiva inicial da produção na próxima safra — os números completos serão apresentados com os resultados de junho. A produção de açúcar deve somar 1,6 milhão de toneladas, aumento de 18% ano a ano. Já a produção de etanol deve aumentar 14%, para 1,2 milhão de metros cúbicos.
“Excluindo nossa estimativa de 210 mil metros cúbicos de etanol de milho, os números indicam um mix de 51%-49% entre açúcar e etanol, algo esperado uma vez que os efeitos dos incêndios de agosto do ano passado já se dissiparam”, afirmam os analistas do BTG.
O banco mantém a recomendação de compra para o papel, tendo em vista o potencial de valorização. Hoje, a São Martinho é negociada a 6 vezes EV/EBIT (relação entre o valor da empresa e o lucro operacional), ante a média histórica de 11 vezes.
No BBI, a visão é um pouco mais conservadora, com recomendação neutra para o papel. “Ainda falta visibilidade em alguns gatilhos para preços de commodities que possam levar a revisões de lucros para cima”, afirmam os analistas.
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Por volta das 15h, as ações da São Martinho caíam 1,8% na B3, enquanto o Ibovespa operava perto da estabilidade. Em 12 meses, os papéis da companhia caem 26%.