A Marfrig fez nesta semana a emissão de dívida mais longa de sua história, levantando R$ 1,5 bilhão em CRAs com vencimento em até 20 anos. A emissão dos papéis teve R$ 2 bilhões de demanda, o que obrigou a um rateio entre os investidores institucionais.
Os CRAs foram emitidos em cinco séries, divididos em tranches com vencimento em cinco, sete, dez, 15 e 20 anos. Pouco mais da metade da captação ficou concentrada nos papéis mais longos, com 15 e 20 anos de vencimento e indexados à inflação.
A série mais relevante foi a quarta, com vencimento em 15 anos e captação de R$ 492 milhões. Nesta série, a taxa saiu a IPCA + 8,25 ao ano, no teto previsto no prospecto da emissão.
Na quinta série, a mais longa — com vencimento em 2045 —, a Marfrig levantou R$ 302,7 milhões a uma taxa de IPCA + 8,34% ao ano, também no teto.
A emissão também marcou a primeira vez que a Marfrig conseguiu captar a abaixo do DI futuro. Na segunda série, com vencimento em sete anos, a companhia levantou R$ 210 milhões a uma taxa prefixada de 14,64% ao ano — o equivalente ao DI 30 menos 0,15%. A taxa teto dessa série era 14,9%.
A Marfrig também levantou duas séries indexadas ao CDI. Na primeira série dos CRAs, com vencimento em cinco anos, captou R$ 290 milhões, a 100% do CDI — um desconto de 1,5% sobre o teto.
Na terceira série, com vencimento em dez anos, a Marfrig levantou R$ 205 milhões com uma taxa de CDI + 0,4% ao ano, no teto previsto.
A emissão dos CRAs da Marfrig foi coordenada pelo BTG Pactual, com a participação de um sindicato de bancos que incluiu BB Investimentos, XP Investimentos, Safra, Bradesco BBI e Santander.
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A BRF, controlada pela Marfrig, também está na rua com uma oferta de CRAs. A dona da Sadia também pretende captar R$ 1 bilhão, em séries com vencimento de até 20 anos.