Biocombustíveis

Milho pode abocanhar 40% da produção de etanol, prevê FS

“Hoje, o etanol já não é um ativo apenas rodoviário, está se tornando uma commodity global”, disse Daniel Lopes, da FS

Em rota de crescimento no Brasil, o etanol de milho pode dobrar sua participação na produção nacional de etanol nos próximos quatro anos, saltando dos atuais 20% para 40%. A previsão é de Daniel Lopes, vice-presidente executivo de sustentabilidade e desenvolvimento de negócios da FS, uma das maiores produtoras do País.

“Hoje, o etanol já não é um ativo apenas rodoviário, está se tornando uma commodity global. Podemos chegar a 40% do mercado nacional em três ou quatro anos, antes da previsão da EPE (Empresa de Pesquisa Energética)”, disse Lopes nesta quinta-feira, durante uma conferência sobre etanol de milho promovida em Cuiabá (MT) pela Datagro e pela Unem, associação que reúne as empresas do setor.

A previsão do executivo é reforçada por projeções do JP Morgan, que, em relatório publicado em fevereiro, estimou que o etanol de milho pode chegar a 37% do total do biocombustível produzido no Brasil até 2030. Os números consideram as perspectivas de aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina no País dos atuais 27,5% para 30%.

A maior parte dos especialistas reunidos no evento traçou um diagnóstico em comum: a demanda pelo etanol de milho brasileiro pode crescer, e muito, puxada tanto pelo mercado interno quanto pelo externo.

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, destacou o espaço para aumento na demanda no mercado interno. Segundo ele, em 2024, o Brasil substituiu em média 45% de sua gasolina por etanol – no Mato Grosso, esse índice chegou a 68%. Por outro lado, embora 86% da frota nacional de veículos leves seja composta de modelos flex, só 30% utilizaram etanol hidratado em 2024. “Temos o desafio de aumentar essa proporção.”

Lopes, da FS, prevê a adoção do etanol de milho em outros setores, como transportes marítimos e aviação agrícola – nesta, a participação do biocombustível já chega a 34%. Na aviação comercial, a meta é descarbonizar todo o setor até 2050, segundo Marcelo Rezende Bernardes, superintendente de governança e meio ambiente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Já no contexto internacional, Marcel Moreira, secretário adjunto de comércio e relações internacionais do Ministério de Agricultura, falou sobre o papel de liderança do Brasil na discussão sobre energia renovável, e o poder de atração de um etanol cada vez mais atrelado ao milho.

Segundo o secretário adjunto, hoje, 76 países já têm mandatos para mistura de gasolina com etanol. Dois dos principais alvos são a Índia, que almeja ampliar o uso do biocombustível a 20% de sua matriz energética até 2030, e o Japão, que mira ter os mesmos 20% até 2040. “Estamos buscando ampliar os mercados ao mesmo tempo em que otimizamos a produção interna”, explicou Moreira.

O papel dos híbridos flex

Também presente na conferência, Rafael Ceconello, Diretor de Assuntos Regulatórios e Governamentais da Toyota no Brasil, detalhou como o etanol de milho foi, e tende a ser ainda mais, um vetor de desenvolvimento da tecnologia híbrida flex – a montadora japonesa anunciou recentemente um plano para investir R$ 11,5 bilhões, até 2030, em uma fábrica em Sorocaba (SP).

“O híbrido flex polui menos do que o carro elétrico. E isso começa na pegada de carbono negativa da plantação de milho ou de cana. Agora, o etanol do milho vai prover a demanda dessa nova tecnologia”, afirmou.

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