Cerca de 70 mil toneladas de grãos por dia, o equivalente a US$ 30 milhões. Esse é o volume que os exportadores brasileiros estão sendo impedidos de embarcar devido ao bloqueio parcial ou total da BR-163, no Pará, que ocorre há quase duas semanas.
A estimativa foi divulgada nesta sexta-feira, em uma nota conjunta da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja) e da ATP (Associação de Terminais Portuários Privados).
O acesso às estações de transbordo de cargas e aos terminais de uso privado de Miritituba, no Pará, está interrompido devido ao protesto de indígenas que pedem a revogação da lei 14.701, que oficializa o marco temporal.
O episódio, que afeta uma das principais vias de saída da soja brasileira, acontece em um momento crucial para o programa de exportações, com a colheita recorde praticamente finalizada e os armazéns cheios.
“A interdição tem gerado grandes transtornos no trânsito e prejuízos irreparáveis à sociedade, especialmente ao escoamento da produção de alimentos perecíveis, medicamentos, combustíveis, deslocamento de enfermos, entre outros embaraços”, dizem as entidades na nota.
As associações lembram que a legitimidade e a legalidade do pleito indígena foram reconhecidas judicialmente, numa decisão que autorizou a paralisação do trecho em questão em horários determinados. Mas, por falhas na fiscalização, o movimento tem extrapolado os períodos de paralisação nos moldes estabelecidos, segundo os exportadores.
“Por essa razão, as entidades signatárias pedem que as autoridades federais mantenham o diálogo a fim de se chegar a uma solução, e que restabeleçam, com máxima brevidade, o direito de ir e vir de veículos de passeio e utilitários, para que a sociedade não seja prejudicada”, finaliza a nota.