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Com safra recorde, amendoim protagoniza retomada no Brasil

Com margem superior à da soja, produção de amendoim deve crescer 60% nesta safra e ultrapassar 1 milhão de toneladas pela primeira vez

Plantação de amendoim Crédito: Shutterstock

Protagonista entre as oleaginosas até os anos 1980, quando a soja começou a ocupar o espaço de outras culturas no Brasil, o amendoim vive uma retomada. Na safra 2024/25, a produção brasileira deve subir 60%, atingindo um recorde de 1,18 milhão de toneladas.

A produtividade é o grande destaque dessa temporada, com um avanço de 47% em relação à safra anterior, que sofreu uma quebra em algumas regiões. A área plantada, bastante concentrada no estado de São Paulo, deve subir 9%, segundo estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Em um relatório de 27 páginas, a consultoria Agro do Itaú BBA detalha os motivadores do ciclo de retomada do amendoim. Os preços pagos aos produtores vêm crescendo nos últimos anos, impulsionados pelo aumento da demanda interna e pelas cotações internacionais, tornando as exportações mais rentáveis.

Desde a pandemia, o preço do óleo de amendoim mudou de patamar no mercado internacional, saindo de US$ 1 mil em 2019 por tonelada para US$ 1,8 mil a tonelada em 2021, patamar em que se mantém até hoje.

Usado na culinária, o amendoim concorre com o óleo de palma, cuja oferta caiu de forma significativa na pandemia devido a restrições de exportações pela Indonésia, principal produtor mundial. Com a queda na oferta do óleo de palma, aumentou a demanda pelo óleo de amendoim, elevando o seu preço.

Com os preços do grão diretamente relacionados aos do óleo, os valores pagos aos produtores no Brasil também subiram nos últimos anos, resultando em margens melhores ao agricultor em comparação com a soja. Mesmo com custos mais altos em relação à principal cultura do País, a margem bruta na produção de amendoim foi de 50% na safra 2024/25 em Tupã (SP) ante 42% da soja na mesma região, segundo cálculos do Itaú BBA.

A margem mais atrativa do amendoim tem chamado a atenção dos produtores para o plantio da oleaginosa além de São Paulo, como Mato Grosso do Sul, que agora responde por 8% da produção nacional, e Minas Gerais, com 5%. São Paulo, no entanto, continua dominando o mercado, respondendo por 84% da oferta nacional.

Além da proximidade com as indústrias processadoras e portos, outro fator que estimula o plantio de amendoim em São Paulo é o uso na rotação de culturas, principalmente em áreas de renovação de canavial.

O amendoim é uma leguminosa que promove a incorporação de nitrogênio atmosférico no solo, o que reduz a necessidade de adubação nitrogenada no ciclo seguinte da cana e auxilia no controle de nematoides. A rotação ainda reduz a incidência de pragas, doenças e plantas invasoras, além de melhorar a estrutura do solo, aeração e infiltração de água.

“Diante das questões climáticas que têm prejudicado a soja no Mato Grosso do Sul, o amendoim também tem atraído produtores da região, principalmente em solos mais arenosos”, observa o banco. Na última safra, a área de amendoim no Estado mais que dobrou, segundo dados da Conab.

Exportações em alta

Com a safra recorde no mercado brasileiro, espera-se que os envios em 2025 sejam maiores que em 2024. Segundo players do setor, este pode ser o melhor ano da história em termos de volume exportado.

Por outro lado, os preços de exportação podem cair graças à boa produção global, com China, EUA e Índia já tendo colhido boas safras, enquanto a Argentina, um dos maiores exportadores, tem área plantada recorde.

A maior parte da produção brasileira é exportada na forma de grãos ou óleo. O Brasil tem ganhado relevância nas exportações. Hoje, o país é o segundo maior exportador global de óleo de amendoim, atrás apenas da Índia, e exporta cerca de 77% de sua produção, principalmente para União Europeia, China e Rússia.

O consumo no mercado interno também tem crescido, apesar de ser baixo na comparação com China e EUA. Na China, líder global com 39% da produção mundial, o consumo per capita é de 13 quilos por habitante ao ano. Nos EUA, é de 6,7 kg por habitante / ano. No Brasil, o consumo médio é bem mais baixo, de 1,6 kg por habitante ao ano, segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados).

Ano desafiador

A perspectiva de uma super safra de amendoim em 2024/25, contudo, deve afetar os preços no mercado interno. “Considerando o maior custo de produção, as margens podem ser reduzidas neste ano, principalmente para os players que produzem em áreas de arrendamento”, detalha o Itaú BBA.

“No geral, o ano de 2025 tende a ser mais desafiador para os players pouco tradicionais na cultura, que decidiram cultivar sem se aprofundar na cadeia. No entanto, ainda há oportunidades para os que buscaram entender o mercado e investir no amendoim, que pode seguir ganhando espaço nas áreas de lavoura brasileiras”, conclui a consultoria.