Dividend Stock

A máquina de dividendos da JBS: US$ 1 bi por ano

“Fizemos capex, M&A, distribuímos dividendos, reduzimos a dívida e a alavancagem, resumiu o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni

Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS

A JBS cumpriu à risca a cartilha desenhada para 2024 — e entregou mais um pouco. Beneficiada pela segunda melhor geração de caixa livre de sua história, a companhia continuou crescendo, remunerou os acionistas e reduziu endividamento.

“Fizemos capex, M&A, distribuímos dividendos, reduzimos a dívida e a alavancagem. Foi um ano em que conseguimos entregar todas as nossas propostas de valor”, resumiu o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, em entrevista ao The AgriBiz.

O trabalho levou a JBS a entrar 2025 com um amplo colchão de liquidez e diferentes possibilidades de alocação de recursos.

Enquanto as desejadas aquisições transformacionais não vêm, os acionistas devem continuar se beneficiando. Depois de distribuir R$ 3 por ação em 2024, a administração vai propor a distribuição de mais R$ 2 por ação na assembleia de acionistas a ser realizada no final de abril.

Considerando a remuneração de mais R$ 1 que será implementada no momento da dupla listagem de ações (aguardada para o segundo semestre), os acionistas devem receber R$ 3 por ação também em 2025. Assim, a JBS distribuiria, mais uma vez, aproximadamente US$ 1 bilhão em dividendos este ano.

“Entramos para o grupo das dividend stocks”, afirmou o CFO da JBS, Guilherme Cavalcanti;. “Temos pago US$ 1 bilhão em dividendos por ano e temos capacidade de manter essa constância”, acrescentou.

Mesmo remunerando os acionistas, a JBS reduziu sua dívida líquida em US$ 1,7 bilhão no ano passado e derrubou a alavancagem para 1,89 vez em dólar no quarto trimestre, em comparação com 4,42 vezes no mesmo período de 2023.

“Não teremos nenhum esforço extraordinário para pagar esses dividendos em 2025. Mesmo que o mercado seja conservador e projete um Ebitda menor, vamos terminar o ano com a relação dívida líquida/Ebitda confortável entre 2 vezes e 3 vezes”, sinalizou.

A decisão de distribuir os lucros não exclui a possibilidade de fazer aquisições, que devem ficar mais fáceis de financiar após a listagem das ações em Nova York. “Ainda temos muito poder de fogo para fazer aquisições. Se aparecer uma oportunidade, podemos acessar o mercado de capitais, que cada vez tem reconhecido mais a nossa solidez financeira”, disse o CFO.

Na emissão de bonds realizada em janeiro, na qual a JBS captou US$ 1,75 bilhão, a demanda pelos títulos chegou a US$ 10 bilhões. “Foi o menor spread over Treasury entre todos os emissores brasileiros”, ressaltou Cavalcanti.

No Brasil, a JBS emitiu recentemente a dívida mais longa do mercado de capitais brasileiro. Hoje, apenas 5% da dívida da JBS é bancária. O restante está no mercado de capitais.

A margem do frango

Tudo isso foi possível graças ao bom desempenho operacional. O Ebitda da JBS mais que dobrou no ano passado e atingiu R$ 39 bilhões, ficando levemente acima do consenso de analistas (R$ 37,8 bilhões, segundo a Bloomberg).

A margem Ebitda consolidada ficou em 9,4%, quase cinco pontos percentuais acima do registrado em 2025. A empresa gerou R$ 13,2 bilhões em caixa livre no ano passado — só no quarto trimestre, foram R$ 5,3 bilhões.

Além de os resultados serem beneficiados pelo bom momento do mercado global de carne de frango, a JBS corrigiu problemas na Seara e na operação de bovinos nos EUA. Apesar da oferta de gado ter caído ainda mais em 2024 no mercado americano, a JBS mais que dobrou o Ebitda do negócio de carne bovina nos EUA no ano passado. A margem Ebitda continuou baixa, ao redor de 1%, mas também melhorou.

Na Seara, o Ebitda disparou de R$ 1,8 bilhão para R$ 8,4 bilhões no ano passado. A margem ficou em 19,8% no quarto trimestre, levemente abaixo do recorde de 21% no trimestre anterior.

Apesar da alta do preço do milho no Brasil, Tomazoni acredita que é possível manter um patamar semelhante ao de 2024. Ainda que a maioria dos ajustes operacionais já tenham sido feitos, o CEO diz que ainda há espaço para melhorias internas na Seara. “O processo não terminou”, disse.

Além disso, a relação entre oferta e demanda de frango se mantém muito ajustada, com a oferta “bastante disciplinada” e o consumo de proteínas em alta em todo o mundo.

Para Tomazoni, se não houver surpresas climáticas nos próximos meses, a safrinha de milho deve ser boa no Brasil e pode aliviar os custos, seguida por uma possível ampla oferta nos Estados Unidos. “Tem mais possibilidade de o preço do milho cair do que subir. Podemos ter até redução de custo”, disse Tomazoni.